Porto de Mós, 18 de março de 2014
Meu querido Gabriel,
Estou
aqui em Alcaria, a olhar para ti a montar o Nasuk e apercebo-me que os anos
passam depressa…demasiado depressa. Já te vejo homenzinho! Ainda assim,
continuas aquele menino doce, que não prescinde do mimo, do beijo e do abraço.
Vem-me
à memória a viagem que fizemos os três: tu, eu e o pai. Tinhas tu cinco anos.
Andavas todo contente porque estávamos a fazer uma viagem de sonho por França,
a visitar cidades, museus e parques temáticos. Eu e o pai, tínhamos uma notícia
para ti e tu tinhas de ser o primeiro a saber, pois era um desejo e pedido teu.
Estávamos em Carcassone, no quarto de hotel, quando te demos a noticia. Pedimos
que te sentasses e ouvisses o que te tínhamos para dizer. O pai começou por
dizer:
-Sabes, Gabriel, a
mãe tem um bebé na barriga.
Tu, todo contente,
perguntaste:
- Um mano?
- Um mano ou uma
mana, ainda não sabemos.- Respondi-te.
Mas tu querias mesmo
um mano.
Os
seis meses que se seguiram, pois eu já estava grávida de três meses, foste um
homenzinho em tudo. Ajudavas nas coisas de casa, gostavas de ir às consultas
para veres o mano. Mas quando me impressionaste mais foi no dia em que o teu
irmão nasceu. Quando eu me queixava com dores, tu ajudavas-me na respiração. Admiro
a tua paciência de estar um dia à espera do mano que não tinha pressa de
nascer. Foste para casa dos tios, já sem paciência de esperar quem tardava a chegar.
Afinal, esperaste pelo teu irmão das oito da manhã às oito da noite. A
paciência de uma criança tem limites! No dia seguinte, quando chegaste com o
ursinho feito por ti, viste o teu irmão pela primeira vez e abraçaste-o. Ainda
hoje cuidas dele com muita responsabilidade.
Sabes,
tenho muito orgulho em ti. És muito especial pela forma como és responsável,
pela tua índole, pela tua humildade. Tenho a certeza que irás dar sempre valor
às coisas boas da vida e à própria vida.
Amo-te muito
A tua mãe
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