Hoje, estava a ver o
noticiário numa estação televisiva qualquer. A notícia que me chamou à atenção
foi a morte de um casal de idosos em casa. Os vizinhos só deram por ela quando
repararam que há uma semana não viam movimento em casa. Chamaram os
bombeiros....o casal tinha morrido. As causas também não interessam para este
meu desabafo. Este casal tinha filhos...como não deram por ela?
Num instante olho para as
minhas mãos engelhadas, espreito para o espelho e a cara tem rugas. Eu também
sou velha, eu também sou um estorvo. A minha vida é igual a este casal de
idosos...só que eu não tenho marido!
Vivo numa casa sozinha ...só
as plantas, as paredes e os tarecos me fazem companhia.
Tenho filhos, noras e netos
já criados que não vivem no estrangeiro, nem do outro lado do mundo como
acontecia com este casal...vivem bem mais perto.
Agora ao ouvir esta notícia
vejo que a minha vida ou não vida é igual à deste casal. Raramente estou com
eles...passa o meu aniversário, o dia da mãe, o dia dos avós...apenas um
telefonema, lá nos encontramos no Natal, no Ano Novo na casa de um dos filhos.Eles
lá vão telefonando ao domingo. Os netos, e com telemóveis topo de gama, não
telefonam.
Correm-me as lágrimas dos
olhos. Vivo na solidão...os meus netos não conhecem as minhas histórias e até
tenho algumas engraçadas...os meus filhos já não me conhecem e já não me
perguntam do que gosto e do que preciso.
Olho para as paredes da
minha casa e também elas são frias...não têm histórias para contar, porque
nesta casa não há vida.
Eu para aqui estou à espera
que a morte me bata à porta e quando ela chegar...meus filhos dirão: finalmente
a velha morreu!
Elsa Barbosa
12/8/2014